
A LINGERIE foi desenvolvida no 5º semestre da faculdade, durante a disciplina de Tipografia Vernacular, em dupla com um colega. O desafio era encontrar uma referência tipográfica nas ruas — algo espontâneo, popular — e transformá-la em uma fonte digital. Depois, essa fonte seria usada para criar o rótulo de uma cachaça.
A nossa referência veio da fachada de uma sex shop, onde várias letras diferentes estavam pintadas na parede. Escolhemos a palavra LINGERIE, que se destacou pelo estilo e virou o nome da fonte.
A partir da foto, fizemos diversos estudos e esboços em papel vegetal, até chegar em formas consistentes. Em seguida, vetorizamos os caracteres e ajustamos espaçamentos e combinações no FontLab.
O resultado foi uma fonte sem serifa, bold, sem contraste, com orientação romana e um uso totalmente decorativo. As letras maiúsculas são iguais às minúsculas, mas com "swashes" (caldas) que deixam a tipografia mais expressiva e ornamental. Além disso, também desenvolvemos pontuações, acentos e numerais.

Por que a "LINGERIE" não tem ficha técnica?

Esse projeto foi pensado como um experimento tipográfico, partindo de uma referência vernacular — aquelas letras feitas à mão, encontradas nas paredes das ruas, cheias de espontaneidade e personalidade. A base do trabalho está justamente na manualidade e na liberdade da forma, por isso colocar a fonte dentro de uma "caixa" técnica iria contra a proposta.
Por essa razão, não faz sentido aplicar uma ficha técnica tradicional à LINGERIE — a fonte foi feita para ser expressiva, livre e fora dos padrões.
CACHAÇA LINGERIE
O desafio final do projeto era aplicar a fonte criada em um rótulo de bebida — mais especificamente, de cachaça. Decidimos usar o próprio nome da fonte, LINGERIE, como nome da bebida também, reforçando a identidade visual e conceitual do projeto.
Cada integrante da dupla criou um rótulo diferente usando a fonte, e no meu caso, desenvolvi a arte e apliquei em mock-ups digitais e também em uma versão física, para testar o visual no contexto real do produto.

